CRIOLO NO PARQUE, AO VIVO, A REVOLUÇÃO, AS CORES

      18/05/2012

Certo. Não é pra ser redundante, nem nada. Mas já que esta é a quarta vez que assistimos a este show em tipo 6 meses, é bom que seja dito algo. Criolo é a nova velha gostosa obviedade da imprensa, dos críticos, dos fãs desesperados, e do público dissimulado. É o artista mais instigante do Brasil, de grande público, em franca atividade. E não há dúvidas nisso. Diga outro nome brasileiro que esteja fazendo barulho igual este homem da zona leste de São Paulo, que carrega nos olhos a poesia e a maestria de conduzir em versos uma plateia de desperados. Que levante a fé, e arraste a malevolência da vida. Que desperte o ímpeto do Novo Mundo e que pregue – como pregou ontem, no Parque Municipal – contra a homofobia, a ditadura e a repressão desmedida e escancarada.

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(Parque Municipal , Sónar SP, Music Hall e Praça do Papa)

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Criolo é o novo Planet Hemp. Criolo é o novo Chico Buarque de Holanda. E essas comparações são idiotas – então, por favor, não as reproduza. Mas, sim, algumas fórmulas estão sendo repetidas. O produtor é o mesmo. Ganjaman. Os convites também são os mesmos. Gil? E, bem, até mesmo este atual período da história carrega lá uma semelhança com o nosso passado sombrio. Emicida foi preso, dia desses aqui em Belo Horizonte, porque colocou um dedo na ferida. Absurdo. Mas a ditadura segue, meu amigo Chico.

Criolo é o porta-voz de, talvez, um novo tempo. É a angústia reprimida, com um microfone na mão, e centenas de ouvidos atentos. É tudo que, por muito tempo, a periferia quis gritar – mas que a ~Sociedade~ não estava preparada para ouvir. É o clichê mais gostoso de se reproduzir em uma conversa rápida sobre música contemporânea. É, basicamente, tudo que faltava para a Cena Independente de Música Brasileira dar um outro passo. Avante.

Olha esse show de ontem e perceba. Nós temos, finalmente, um artista brasileiro que mova multidões sem precisar ser um idiota. Ha quanto tempo isso não acontecia?

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(Criolo no show de ontem #conexãovivobh)

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Pois eis em vídeo, mais uma vez, este homem, sua banda, e sua filosofia. Perdoe aqui a qualidade, mas há de notar, contudo, a necessidade destas imagens. Criolo tem fiéis. Fiéis aos montes. Em SP, no Sónar, era notório um silêncio maior na plateia. Não Existe Amor em SP não é uma música bonita, gente boa. Ela é real. E por isso desta vez vamos só assim. Lion Man. Belo Horizonte. Afonso Pena. Parque Municipal. #conexãovivo. E todos os outros anseios.

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PIOLHO NABABO, SEGUNDA RODADA P/ VIAJAR EM ARTE

      18/05/2012

Então, neste sábado, 19, o Piolho Nababo – galeria de arte itinerante de BH – e o Coletivo IE se juntam mais uma vez para a realização do Segunda Rodada. O movimento tem o intuito de reunir pessoas interesssadas em arte para trocar uma ideia, divulgar os trampos e conhecer o que vem sendo produzido por outros artistas locais. É só colar alí no Edifício Maleta, em frente ao Bar do Juventino, entre 14 e 22 horas que o palco vai estar montado para aquecer esta sexta-feira.

O pessoal do What the funk? promete desembolar um Black music nervoso e o Bar do Juventino fica responsável, no esquema pega–paga, por cerveja geladíssima e caldos e quitutes variados. Leve seu debate e seus trabalhos ou, quem sabe, passa lá só para ver o quê que tá pegando. Quadros, filmes, peças de teatro, tudo é válido e bem-vindo. Cola!

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CRIOLO DOIDO BH DE NOVO

      17/05/2012

Mas que coisa louca. Criolo tem feito mais shows em Belo Horizonte do que bandas covers no Lord Pub. Hehe. O quê que tá pegando, Brasil? Longe de nós qualquer tipo de reclamação. Afinal, tem um pessoal que ainda não decorou que Não Existe Amor em SP. E tal.

Vamos que vamos então. Criolo se apresenta hoje, no #conexãovivobh, ao lado de projetos locais bacanas, tipo as bandas 4instrumental, Mercúrio 758/Behamut e Senta a Pua!, a partir de 19h, no Parque Municipal. Quem nunca colou neste evento, não imagina o astral e a musicalidade que tá perdendo. O Parque Munipal é tipo o Central Park brasileiro. Sério.

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(Criolo canta Não Existe Amor em SP no Sónar SP)

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Aí em cima vem um vídeo que registramos na última passagem do Criolo por BH. São três músicas, Lion ManSubirusdoistiozin e Não Existe Amor em SP, em cores e sonoridades de tirar o fôlego. O show desta crew do produtor Ganjaman (também tecladista da Criolo Band) é cabuloso. Sobretudo quando acontece recheado de palmeiras imperiais, pipoca e outras coisas. Partiu?

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TV QUEIJO ELÉTRICO, NOVA TEMPORADA NO AR

      17/05/2012

Sastisfação anunciar que isto aconteceria. Satisfação ter, de fato, acontecido. A TV Queijo Elétrico, televisão online mais respeitável do Brasil, está de volta às intempéries do YouTube. Isso, no Ar.

Basta um play para acompanhar o programa #40, que traz, entre outros assuntos, o lançamento do novo clipe do Fusile, a reedificação do Novo Mundo, Os Vingadores no Cinema, dois pães de queijo com Tulipa Ruiz e a Queda da Savassi. De quebra, o virtusiosismo louco do Lúcio Maia, Nação Zumbi, e um dueto de Sarah e Vivi (Dead Lover), puxando Gainsbourg e outras coisas. Viaja.

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THE XX, DE VOLTA AOS PALCOS, O PRIMEIRO REGISTRO

      16/05/2012

Não há muito a se dizer, ou a se discutir, sobre como deve ser o segundo álbum do xx, que sai este ano. Eis aqui o primeiro registro do retorno do trio aos palcos de Londres, gravado na apresentação que rolou ontem, no Chats Palace. O vídeo tem um minuto. Tempo o bastante para tirar nosso fôlego pelo resto do dia.

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With words unspoken
silent devotion
being in love with you as I am

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O DIA EM QUE O THE XX VOLTOU AOS PALCOS, A HISTÓRIA

      16/05/2012

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Certo, está acontecendo. A atual melhor banda do mundo, The xx, retornou aos palcos de Londres na segunda-feira, em um show apertado no Electrowerkz, fez outra apresentação ontem, no Chats Palace, e fecha a sequência hoje a noite, no Battersea Arts Centre. Já faziam quase dois anos que o trio londrino não aparecia completo, publicamente. De 2010 para cá, tudo que aconteceu foram algumas especulações, uma demo, algumas poucas entrevistas, lançamentos paralelos do produtor/dj Jamie xx, partipações paralelas da vocalista Romy, e nada, absolutamente nada, do vocalista Oliver.

No final do ano passado, contudo, eles anunciaram que estavam entrando em estúdio. E, inclusive, colocaram no ar um blog com as bandas e projetos que estavam influenciando intimamente o processo de gravação do segundo álbum. Ao que tudo indicava – pelas referências e também pelas entrevistas – o sucessor do disco xx, de 2009, seria muito mais “clubber” do que o primeiro. Mais balada, digamos.

Muita expectativa se formou, em cima disso, tendo em vista a importância da banda na cena noturna de Londres – e do resto da Europa. O The xx não só criou uma das sonoridades mais deliciosamente complacentes dos nossos tempos, como também salvou os ingleses do dubstep nervoso e perigoso. Ditou uma nova forma de se vestir e se portar diante da Cidade e da Contemporaniedade. Salvou DJs e produtores de apartamentos do esquecimento terno e profundo. Mesmo em preto e branco, iluminaram uma geração inteira com sentimentos instigantes, confortáveis e apaixonantes.

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E, bem, estão de volta na praça. O jornalista Sam, do blog inglês Musictache, colou na apresentação de segunda, no Electrowerkz, e contou o que viu.

“Em primeiro lugar, eu estava na primeira fila. Ponto pra mim. O Electrowerkz tem capacidade para 200 pessoas e estava lotado até a borda. A emoção no espaço era monumental e a conversa era quase insuportável, mas quando o xx entrou no palco, todo mundo ficou em um silêncio mórbido. O set foi igualmente dividido entre músicas do primeiro disco e outras novas, e todos soavam boas. Eu me lembro que eles disseram em uma entrevista que o novo álbum teria um sentimento mais “clubbier” e, defitivamente, ele tem. Enquanto o vocal, a guitarra e o baixo se mantiveram com o mesmo formato e sonoridade, a bateria e a programação criaram as novas faixas. Jamie xx se tornou um gigante, recentemente, e com certeza ganhou mais coragem para criar novos sons. Liricamente, o novo material parece vir de um lugar mais escuro. Se a maioria das músicas de balada são sobre foder, essas novas faixas do XX prometem cair fora do amor na pista de dança. Se Morrisey (The Smiths) escreveu um punhado de canções de club, elas não estariam muito longe do que essas”.

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Chocante, não? A tensão de conhecer essas músicas novas é tão grande que o guia inglês MTHRFNKR, inspiração máxima do nosso jornalismo, está oferendo 100 libras para quem mandar alguma gravação para o e-mail do blog. Nada foi postado no YouTube, até então. E ninguém sabe ao certo o que pode acontecer, quando essas músicas vierem à superfície.

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Bonde do Rolê, o Kilo

      16/05/2012

Perdão pela omissão. É claro que a gente viajou neste novo clipe do Bonde do Rolê, para a faixa Kilo, estrelado por Diplo, que saiu na internet na semana passada. Acontece que estávamos tão envolvidos com esse lance do Sónar SP que acabamos esquecendo de postar.

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Kilo é o primeiro single do álbum Tropicalbacanal, que sai dia 26 de junho pelo selo Mad Decent, de Los Angeles. O disco contará ainda com participações especialíssimas, tipo de Caetano Veloso e Das Racist, e teve produção coletiva de Diplo, Filip Nikolic, Mumdance e os alemães Schlachthofbronx.

Bonde do Rolê, “o Black Eyed Peas do terceiro mundo”, segundo a descrição do Mad Decent, deve voltar com tudo, neste segundo álbum. Sobretudo sabendo que eles andaram gravando alguns tecnobregas por aí. Vai vendo.

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Experiência Sónar SP 2012

      15/05/2012

(Flying Lotus aponta caminhos)

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Abrir os olhos e ver. O Sónar SP foi uma experiência calorosa para a nossa leviana sobriedade sobre o mundo. Dois dias para embalharar e confortar os nossos anseios mais latentes. Amor e desassossego. Música avançada e desejos. Bem que poderia perdurar pelos meses, cada um daqueles barulhos nada estranhos.

A começar pelo DJ-set do poeta londrino James Blake. Foi quem abriu o palco principal do festival, na sexta, dia 11, induzindo os poucos presentes a refletirem sobre o presente. Sobre a experiência. Sobre dar um passo no conhecimento tênue da contemporaniedade. Somos filhos de um novo mundo, veja bem.

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(Justice ilumina)

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Faz pensar em Londres, e nos dias em que conhecemos a cidade no meio das Riots de gangues e imigrantes, no verão de 2011. Assistimos nos campos vitorianos apresentações não só de Blake, mas também de Jamie xx, SBTRKT, Benga, Jamie Woon e outros subversivos contidos. Lá, qualquer sinal de grave é sentido para dançar. Aqui, no Brasil, ainda estamos aprendendo a se mexer.

Neste Sónar, melhor vai ser listar os shows que mais viajamos – porque qualquer palavra pode soar impertinente demais, dado o momento em que nos encaixamos no tempo. Tudo é muito novo, para alcarçarmos qualquer reflexo que seja realmente pertinente. Não cabe em palavras o que é se sentir contemplado – as ânsias e os ânseios – por um festival que aconteceu aqui, perto de casa. Sobretudo acompanhado destas pessoas, olha só:

 

1. James Blake (UK)

(Poeta James Blake recita versos para plateia atenta)

 

Poeta indolente e incansável. Homem de poucas palavras, mas de palavras certas. Abriu o festival com um DJ-set, na sexta-feira, e descreveu caminhos que passaram pelo UK house, hyperdub e hip hop. Quase nada de dubstep – o gênero que ele subvertou para criar uma sonoridade mais minimalista.

Uma apresentação de James Blake é sempre surpreendente. No sábado, com sua banda, desfez as músicas de seu primeiro álbum, James Blake (2011), em quebradas de dub e drum and bass. Bem sossegado, é claro. A gente tava chegando do Justice, na hora que ele começou Limit to Your Love, e começamos a gritar. Acho que tava todo mundo em silêncio, no auditório.

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2. Skream ft. Sgt. Pokes (UK)

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Ainda falta fôlego, para falar sobre esse movimento aqui. Skream é um moleque londrino que respira dubstep há quase uma década. Vivendo nos subúrbios de Londres, teve a chance de moldar o gênero conforme suas aspirações mais levianas.

Parece bolado, porque o dubstep tomou outro caminho nas américas. E, talvez por isso, resolver pesado com este estimado público, de inocentes brasileiros. Uma faixa mais pesada que a outra, na sequência. Com Sgt. Pokes, integrante do tenebroso DMZ collective, provocando no microfone.

3. Flying Lotus (Los Angeles)

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É de arrepiar, encarar o Flying Lotus de perto. A presença deste respeitável homem de Los Angeles é intimidadora, provocante e calorosa. Mesmo com todo o seu carisma estampado em um sorriso recorrente, uma simples troca de olhares com o sujeito faz uma onda de frio percorrer toda sua espinha.

Porque o americano não pega leve, ao vivo. A influência continua sendo os graves bem calculados e planejados. Mas coloca em sequência Tyler de Creator e, hum, Lil John. Passando por timbres sofisticados, como Zodiac Shit, do seu maravilhoso álbum Cosmogramma. As duas últimas, contudo, foram de quebrar tudo. Primeiro, Original Don, do Major Lazer. “These one is from my friend Diplo”, ele avisou. E, no fim, esse dubstep cabuloso que você vê em vídeo.

4. Justice

Certo. Tudo que tenho a dizer é que encostei no Xavier, antes do show. É. Vi ele no bar, e colei ali para tocar no seu ombro.

 

5. Munchi.

Somos suspeitos para falar, porque já tem alguns meses que a gente vem escrevendo por aqui que o Moombahton é o som do futuro. Mas a apresentação do Munchi deve ter sido a melhor do festival. Ainda que ela tenha sido presenciada por apenas… 100 (?) pessoas. Haha.

(Munchi pira)

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No final o SonarClub lotou, então tudo certo. Munchi é carismático demais – o que pode ser explicado pela sua origem Dominicana, e atual residência na Holanda. Sua música é uma mistura de cumbia, reggaeton e house holandês. Uma profusão de rítmos tão estranha, que as danças da plateia não poderiam ser diferentes.

Perdoe-nos, em todo caso. Se quer saber a verdade, a gente ainda está aprendendo a dançar – tudo isso, e qualquer parte disso – de novo.

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*Tendo colado – ou não – no Sónar SP, você é nosso convidado para conhecer melhor estes e outros artistas ouvindo a nossa Trouble Radio. Especialmente a edição #8 (Trouble).