THIAKOV, RADAR, O DIA DE LANÇAMENTO E BAGDAD

Lançamento bonito, sexta, em Belo Horizonte. Onde você estava? Radar é o primeiro álbum do cantor e multi-instrumentista Thiakov – folk-psicodélico-rock do mais periculoso – que ganhou formas no palco do Espaço 104 com ajuda dos amigos Thiago Corrêa (Transmissor), Yuri Vellasco e Luiz Gabriel Lopes (Graveola), mais grandes participações especiais. Registramos esta noite em vídeo, ao som da faixa Bagdad. Dá para sentir um pouco da onda. Viaja.

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VIOLENTANGO, LE PETIT RHONE Y LA CIGALE, BRASIL

Violentango está além das escolhas pertinentes dos amantes de Gardel. Tango transcendente, ácido, esférico e elucidante. Cada apresentação parece uma viagem pelos becos tensos e intensos de uma San Telmo que nunca dorme. A contemporaniedade argentina traduzida em notas dançantes e calorosas. Encontras aqui, e agora, em uma profusão de tons e tonalidades que confortam toda a nossa calma.

Os argentinos passaram por Belo Horizonte como um cometa instigado. Aceitaram tudo, a toda hora, numa vontade íntima de fazer acontecer o próprio tempo. Depois de um show no Mercado das Borboletas, outro do Pomar da Floresta, nos convidaram para fazer esse registro na apresentação do Festival Internacional de Teatro, no Parque Municipal. O resultado é doce e saboroso. Faz pensar que nunca esquerecemos esta visita. No outono/inverno de 2012.

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CHUPA ESSA LARANJA, MEU BEM | 26.05.12 | @ESCOLA DE SAMBA DO CIDADE JARDIM | BELO HORIZONTE

Noite brilhante nas montanhas. Escola de Samba do Cidade Jardim. Três shows para esquentar o frio. Vagabundo Não É Fácil, cover de Novos Baianos, para abrir as portas. Em seguida, Pequena Morte e Graveola. Guto (Dead Lovers) e Alexandre, discotecando. E tudo mais acontecendo. Quê isso. Viaja no vídeo.

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CONHECI LOS HERMANOS NO BANCO DE TRÁS DO CARRO

texto clara coelho novais

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Apesar de apaixonada, nunca fui entendida de música. Carrego uma clave de sol no ombro esquerdo na certeza de que essa paixão é eterna. Já até fiz algumas aulas, mas passo longe de qualquer entendimento técnico. Meu sentimento é tudo que levo, tudo que me basta para seguir firme na crença de que sou alucinada pelas melhores bandas do mundo.

E vem da minha paixão por música, totalmente de paixão e música, a minha conexão com Los Hermanos. Vem dos meus 15 anos de idade e da fase que meu amor se encontrava mais puro, quase intocado talvez. Do som do carro da minha irmã, que nunca havia sido referência musical para mim, mas que naquela tarde ecoava palavras que não podiam ser de ninguém além de minhas. Tão minhas que eu precisava conhecer um pouco mais, mesmo já conhecendo tudo.

Fui além e me descobri neles. Em quatro caras que carregavam meu sentimento há anos e nunca haviam me tocado, mas que com Sentimental me invadiram para sempre. Descobri meu amor em palavras e melodia, descobri que ele já havia sido descoberto e escancarado para o mundo, faltando apenas alguém para compartilhar.

Decidi que Los Hermanos era a banda da minha vida, ou pelo menos dos meus próximos quinze anos, e, poucas semanas depois, eles entraram em hiato indefinido. Por alguns dias fiquei completamente desolada. Tão jovens, eu, a banda, e já fadados a jamais nos encontrarmos. Mais um amor platônico, mais um desencontro.

Mero engano. Pelo contrário: nosso encontro já havia acontecido aquele dia, naquele carro. Los Hermanos se tornou minha melhor companhia. Os tive como consolo para desamores, me apaixonei por entoarem suas canções. Só nunca encontrei esse tal de amor que, com toda certeza, haverá de entendê-los para ser meu. Carrego, então, neles esse sentimento. Carregam, então, eles o meu sentimento. São meus companheiros, são parte de mim.

Enquanto milhares pessoas se deslocaram para São Paulo para assistir aos mestres do Kraftwerk e se realizarem em uma apresentação inesquecível do Radiohead, eu só queria era escutar ao vivo a poesia que eu pensei que jamais teria a honra de visualizar sendo dita. Uma chance que, talvez, jamais se repetiria. Peguei meus 17 anos, meu melhor sorriso e, acompanhada por irmã e primo, fui expandir meus sentimentos.  Inesquecível, indescritível.  Os tive de novo no SWU do ano seguinte e aqui a acolá um ou outro dos caras acabou dando as caras por BH.

BH a que retornaram unidos sábado passado. Um sábado que virou história para centenas de pessoas. Sábado, domingo e segunda. Shows lotados em uma cidade que sentia saudades de tê-los reunidos. Um público diverso. Iniciantes, gente das antigas, todos com um sorriso no rosto e um coração cheio de sentimentos para serem expandidos, escancarados. Sentimentos já compartilhados.

É que para se conectar com Los Hermanos é necessário sentir. E uma frase deles em que nos reconhecemos é o suficiente para nos conectarmos por completo, basta amar do jeito mais sincero. E por compartilhar o sentimento, amo um pouco mais todos que estiveram comigo ali naquele sábado efervescente: irmã, amigos, Camelo, Amarante, Medina, Barba, jovens, adultos, idosos, solteiros, casados. Apaixonados. Gente interessada em palavras sinceras. Nem que seja um pouco, nem que seja só às vezes. Nem que tenha sido apenas naquela noite de sábado.

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CRIOLO NO PARQUE, AO VIVO, A REVOLUÇÃO, AS CORES

Certo. Não é pra ser redundante, nem nada. Mas já que esta é a quarta vez que assistimos a este show em tipo 6 meses, é bom que seja dito algo. Criolo é a nova velha gostosa obviedade da imprensa, dos críticos, dos fãs desesperados, e do público dissimulado. É o artista mais instigante do Brasil, de grande público, em franca atividade. E não há dúvidas nisso. Diga outro nome brasileiro que esteja fazendo barulho igual este homem da zona leste de São Paulo, que carrega nos olhos a poesia e a maestria de conduzir em versos uma plateia de desperados. Que levante a fé, e arraste a malevolência da vida. Que desperte o ímpeto do Novo Mundo e que pregue – como pregou ontem, no Parque Municipal – contra a homofobia, a ditadura e a repressão desmedida e escancarada.

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(Parque Municipal , Sónar SP, Music Hall e Praça do Papa)

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Criolo é o novo Planet Hemp. Criolo é o novo Chico Buarque de Holanda. E essas comparações são idiotas – então, por favor, não as reproduza. Mas, sim, algumas fórmulas estão sendo repetidas. O produtor é o mesmo. Ganjaman. Os convites também são os mesmos. Gil? E, bem, até mesmo este atual período da história carrega lá uma semelhança com o nosso passado sombrio. Emicida foi preso, dia desses aqui em Belo Horizonte, porque colocou um dedo na ferida. Absurdo. Mas a ditadura segue, meu amigo Chico.

Criolo é o porta-voz de, talvez, um novo tempo. É a angústia reprimida, com um microfone na mão, e centenas de ouvidos atentos. É tudo que, por muito tempo, a periferia quis gritar – mas que a ~Sociedade~ não estava preparada para ouvir. É o clichê mais gostoso de se reproduzir em uma conversa rápida sobre música contemporânea. É, basicamente, tudo que faltava para a Cena Independente de Música Brasileira dar um outro passo. Avante.

Olha esse show de ontem e perceba. Nós temos, finalmente, um artista brasileiro que mova multidões sem precisar ser um idiota. Ha quanto tempo isso não acontecia?

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(Criolo no show de ontem #conexãovivobh)

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Pois eis em vídeo, mais uma vez, este homem, sua banda, e sua filosofia. Perdoe aqui a qualidade, mas há de notar, contudo, a necessidade destas imagens. Criolo tem fiéis. Fiéis aos montes. Em SP, no Sónar, era notório um silêncio maior na plateia. Não Existe Amor em SP não é uma música bonita, gente boa. Ela é real. E por isso desta vez vamos só assim. Lion Man. Belo Horizonte. Afonso Pena. Parque Municipal. #conexãovivo. E todos os outros anseios.

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EXPERIÊNCIA SONÀR SP 2012

(Flying Lotus aponta caminhos)

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Abrir os olhos e ver. O Sónar SP foi uma experiência calorosa para a nossa leviana sobriedade sobre o mundo. Dois dias para embalharar e confortar os nossos anseios mais latentes. Amor e desassossego. Música avançada e desejos. Bem que poderia perdurar pelos meses, cada um daqueles barulhos nada estranhos.

A começar pelo DJ-set do poeta londrino James Blake. Foi quem abriu o palco principal do festival, na sexta, dia 11, induzindo os poucos presentes a refletirem sobre o presente. Sobre a experiência. Sobre dar um passo no conhecimento tênue da contemporaniedade. Somos filhos de um novo mundo, veja bem.

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(Justice ilumina)

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Faz pensar em Londres, e nos dias em que conhecemos a cidade no meio das Riots de gangues e imigrantes, no verão de 2011. Assistimos nos campos vitorianos apresentações não só de Blake, mas também de Jamie xx, SBTRKT, Benga, Jamie Woon e outros subversivos contidos. Lá, qualquer sinal de grave é sentido para dançar. Aqui, no Brasil, ainda estamos aprendendo a se mexer.

Neste Sónar, melhor vai ser listar os shows que mais viajamos – porque qualquer palavra pode soar impertinente demais, dado o momento em que nos encaixamos no tempo. Tudo é muito novo, para alcarçarmos qualquer reflexo que seja realmente pertinente. Não cabe em palavras o que é se sentir contemplado – as ânsias e os ânseios – por um festival que aconteceu aqui, perto de casa. Sobretudo acompanhado destas pessoas, olha só:

 

1. James Blake (UK)

(Poeta James Blake recita versos para plateia atenta)

 

Poeta indolente e incansável. Homem de poucas palavras, mas de palavras certas. Abriu o festival com um DJ-set, na sexta-feira, e descreveu caminhos que passaram pelo UK house, hyperdub e hip hop. Quase nada de dubstep – o gênero que ele subvertou para criar uma sonoridade mais minimalista.

Uma apresentação de James Blake é sempre surpreendente. No sábado, com sua banda, desfez as músicas de seu primeiro álbum, James Blake (2011), em quebradas de dub e drum and bass. Bem sossegado, é claro. A gente tava chegando do Justice, na hora que ele começou Limit to Your Love, e começamos a gritar. Acho que tava todo mundo em silêncio, no auditório.

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2. Skream ft. Sgt. Pokes (UK)

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Ainda falta fôlego, para falar sobre esse movimento aqui. Skream é um moleque londrino que respira dubstep há quase uma década. Vivendo nos subúrbios de Londres, teve a chance de moldar o gênero conforme suas aspirações mais levianas.

Parece bolado, porque o dubstep tomou outro caminho nas américas. E, talvez por isso, resolver pesado com este estimado público, de inocentes brasileiros. Uma faixa mais pesada que a outra, na sequência. Com Sgt. Pokes, integrante do tenebroso DMZ collective, provocando no microfone.

3. Flying Lotus (Los Angeles)

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É de arrepiar, encarar o Flying Lotus de perto. A presença deste respeitável homem de Los Angeles é intimidadora, provocante e calorosa. Mesmo com todo o seu carisma estampado em um sorriso recorrente, uma simples troca de olhares com o sujeito faz uma onda de frio percorrer toda sua espinha.

Porque o americano não pega leve, ao vivo. A influência continua sendo os graves bem calculados e planejados. Mas coloca em sequência Tyler de Creator e, hum, Lil John. Passando por timbres sofisticados, como Zodiac Shit, do seu maravilhoso álbum Cosmogramma. As duas últimas, contudo, foram de quebrar tudo. Primeiro, Original Don, do Major Lazer. “These one is from my friend Diplo”, ele avisou. E, no fim, esse dubstep cabuloso que você vê em vídeo.

4. Justice

Certo. Tudo que tenho a dizer é que encostei no Xavier, antes do show. É. Vi ele no bar, e colei ali para tocar no seu ombro.

 

5. Munchi.

Somos suspeitos para falar, porque já tem alguns meses que a gente vem escrevendo por aqui que o Moombahton é o som do futuro. Mas a apresentação do Munchi deve ter sido a melhor do festival. Ainda que ela tenha sido presenciada por apenas… 100 (?) pessoas. Haha.

(Munchi pira)

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No final o SonarClub lotou, então tudo certo. Munchi é carismático demais – o que pode ser explicado pela sua origem Dominicana, e atual residência na Holanda. Sua música é uma mistura de cumbia, reggaeton e house holandês. Uma profusão de rítmos tão estranha, que as danças da plateia não poderiam ser diferentes.

Perdoe-nos, em todo caso. Se quer saber a verdade, a gente ainda está aprendendo a dançar – tudo isso, e qualquer parte disso – de novo.

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*Tendo colado – ou não – no Sónar SP, você é nosso convidado para conhecer melhor estes e outros artistas ouvindo a nossa Trouble Radio. Especialmente a edição #8 (Trouble).

 

CRIOLO AO VIVO EM BELO HORIZONTE | TRÊS MÚSICAS

Quem colou, colou – Sexta-feira, Music Hall – e logo se arrastou pelos versos certos e incertos do poeta sábio e dissimulado Criolo. Profeta atento dos acalantos cotidianos. Entende da dor e da necessidade, do passado e da vontade de arrancar do peito as angústias e amarguras provocadas pela Cidade.

Show como não se vê muito. E, por isso, deixamos registradas aqui estas três canções – Lion Man, Subirusdoistiozin e Não Existe Amor em SP – e mais o interlúdio em que resgata Gil e Chico. O recado é em cor, e afaga o desamor. Carrega a fé e o conforto de quem grita a melancolia de sofrer menos um pouco.

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ASSISTIMOS MC MARECHAL

Noive suave, ali no Bordello. Ainda era verão, quando a gente saiu de casa para ouvir dois poetas rimando. Pedro Vuks, de Belo Horizonte, e MC Marechal, do Rio de Janeiro.

Gravamos o segundo, entrando no palco. Humildade e tranquilidade, MC Marechal é como uma arma engatilhada. Mas no lugar de balas, ele dispara as palavras certas, que o vento precisa ouvir.

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FOI S.E.N.S.A.C.I.O.N.A.L!

Não cabe no peito, mas arrasta a memória. Ver assim a Praça da Liberdade ao vento, milhões e milhões de pessoas dançando e ondulando juntas no meio da esquina do tempo. É dois mil e doze enfim – e os braços estão por fim abertos para as lutas e as conquistas, os sonhos e desejos, amor e sossego de ser contemporâneo de tudo que está sendo feito na cidade de Belo Horizonte agora.

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Pequena Morte, Graveola e Iconili. As bandas maravilhosas, da Gente Maravilhosa, que se esbarra nas ruas, esquinas e bares de letreiros acesos e iluminados. E os convidados especiais da holanda-peru-nova-orleans Balcony Players, os cariocas do Orquestra Voadora, os conterrâneos do Roodboss Soundsystem e a querida DJ Palomita.

“Você que está sozinho aí”, não está sozinho mais.

Porque, sim, “ficar sozinho é tão clichê” quando a cultura daqui queima, arde e prospera. Os sorrisos e as vontades. Os beijos e os dias de saudade precipitada de tudo que nos espera para além dos carnavais. Somos todos parte de uma corrente latente de construir e de transformar. Tocar o barco pra frente com o amor de quem só busca amar mais. Reconhecendo: Como todos esses dias estão sendo Sensacionais.

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RUSKO EM AMSTERDAM

Rusko em dez minutos, e ali já estão oitocentas almas se ajeitando no meio do Paradiso, Amsterdam, no olho do furacão do tempo e da loucura, oitocentas almas carburando seus cigarros de maconha e de haxixe legalizados pelo governo, quase todas de preto, quase todas com passaportes carimbados na alfândega de Londres em alguma outra estação do vento.

Daqui de cima dá para ver todas elas se movimentando como máquinas em desencaixe perfeito, um redemoinhos de buscas e de perguntas se enrolando entre o palco e o balcão onde se pode pagar cinco euros por uma cerveja boa e honesta; está todo mundo esperando o momento certo para chegar ainda mais perto, começar a gritar, e colocar fogo em outro baseado cuidadosamente enrolado.

Não demora nem os dez minutos e ali está Rusko, moicano no lugar, terno preto e bem cortado, um monge jovem e moderno carregando nas costas uma mochila com um computador maltratado pelos cinco ou seis anos em que já está na estrada – é um legítimo DJ de dubstep – talvez até o mais famoso deles, e agora, vestido assim, parece até um astro pop em um momento bom de sua carreira fugaz.

Fugaz porque não há uma espécie animal que possa aguentar o que ele vem aguentando – cinco apresentações por semana, cinco países diferentes, cinco plateias de jovens loucos e alucinados, alimentados em suas ânsias de uma vida de perigo, loucura, adrenalina, medo e poesia. Rusko parece um guia com as respostas exatas – alguém que conhece um caminho no meio da vastidão de possibilidades de que é feita a Europa agora.

E então do palco agora vem um dubstep mais pesado que o outro – Rusko sorri – e o Paradiso começa a se desfazer em oitocentas corpos desencontrados rodando de um lado para o outro – rompendo com os limites de espaço e tempo – e nada de pegar leve, nada de segurar a onda – este é um movimento de dubstep em Amsterdam, a capital irônica do mundo, e não há nenhuma chance de quebrar toda a tensão que paira no ar.

Só com pancadaria. Mas a pancadaria é razoavelmente controlável. Um dubstep atrás do outro, cada vez mais escuro e gordo, mais estranho e menos assimilável, e a pista vai crescendo como se tivesse ganhando vida própria, como se agora todas as oitocentas pessoas tivessem suas respostas – amor e medo dançando juntos no meio de uma escuridão de luzes verdes e vermelho violeta.