Provavelmente o Brasil não ouviu nem um porcento do tecnobrega que anda sendo escrito em becos, quebradas, guetos e cidades espalhadas de norte a sul do país. Ainda é mínimo o conhecimento que temos do gênero – e de seu potencial expansionista, avassalador, que ainda deve extrapolar qualquer tipo de fronteira física, cultural. É um ritmo que ainda vem sendo moldado, esculpido, ganhando formas próprias conforme mudam as estações. Cresce a producão e triplifica o público. O que antes era quase-marginal, hoje é massa. É povo, e é elite. É o novo funk. É a abertura da novela das oito.
Também é mínimo o caminho percorrido pela Banda Uó até agora. Apesar de já completarem alguns poucos anos na estrada introduzindo o ritmo em baladas indies, hipsters brasileiros e um ou outro playboy, o trio de Goiânia sequer tem um álbum lançado. Candy, Davi e Mateus ganharam notoriedade na internet com um clipe do hit Shake de Amor, lançaram um EP com poucas faixas, gravaram com o rei do axé Luiz Caldas e, bem, tem ensinado toda uma geração o molejo paraense, em festas e shows apertados e apoteóticos.
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Hit Uó
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Os curitibanos do Bonde do Rolê abriram algumas portas – quando colocaram a Uó para abrir seus shows. Um elo entre o funk e o tecnobrega que deu tão certo que acabou se repetindo mais tarde, com a formação do selo Avalanche Tropical, “uma junção de pessoas. Um grupo. Um nome para ter esse cardume. Quando um membro vai tocar em algum lugar, a gente já manda o line-up de todos, pra jogar todo mundo pra frente”, explica Candy Mel.
Hoje, sexta-feira, um combo da Avalanche desembarca em Belo Horizonte para duas festas fortes. A Baixaria, no Granfino’s, recebe a Banda Uó mais o Baixaria Dream Team, de DJs. Na Dduck, Laura Taylor e Gorky (Bonde do Rolê) e André Paste (remixeiro maluco) fazem a festa da Avalanche Tropical girar. Impossível escolher entre um e outro. Então é melhor colar nos dois.
Conversamos com a Candy Mel, vocalista da Banda Uó, pelo telefone ontem, assim que ela deixou o São Paulo Fashion Week. “Fomos convidados para assistir aos desfiles”, contou. Já em casa, e tranquila, Candy falou do disco novo e garantiu que muita coisa ainda vai acontecer na história da banda. A começar pelo movimento de hoje a noite, que promete ser intenso.
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A Banda Uó é um desses fenômenos que surgiram na internet – e, com isso, tem um público que acaba extrapolando o círculo formado apenas pelos apreciadores da Música Brega. Quem são as pessoas que mais interagem com a banda?
É um público bem diferente, e a nossa banda alcança vários guetos. Acho que a gente atrai um público por ser um brega para jovens. Mas hoje em dia tem até mães que gostam.
Antes da Banda Uó não tinha nenhuma banda de brega no Brasil que os jovens curtiam. Então a gente surgiu através da internet – e a internet foi um caminho que a gente utilizou para colocar isso daí, o que a gente achou que ia dar certo.
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O tecnobrega – assim como o funk – tem uma origem na expressão popular dos guetos e periferias do Brasil. A ~classe intelectual brasileira~ demorou um pouco para aceitar essas expressões. Hoje, contudo, parece que esse cenário tá mudando, certo?
Com certeza. O tecnobrega está alcançando patamares maiores que os esperados e está se consolidando assim como outros gêneros. Como o funk mesmo, que antes era marginalizado e que hoje toca em boate de playboy.
As coisas tendem a ser mais abertas com o tempo. Foi assim com todos os estilos musicais – com o rock, o soul, o blues… inclusive a MPB, que também começou marginalizada numa época que tinha toda uma bagunça cultural no brasil – e que hoje em dia é tido como um gênero completamente chique – consumido por uma classe social completamente intelectualizada.
O tecnobrega está crescendo sim. É um gênero que está bem no início ainda, as coisas ainda vão acontecer com mais firmeza.
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Trio Uó
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Será que o Bonde do Rolê também tá entrando nessa? Eles gravaram recentemente um remix – em tecnobrega – para uma música do Major Lazer, do DJ Diplo.
Eles não colocaram tecnobrega no disco novo não. O Bonde do Rolê tá tentando colocar uma linha mais pop nesse álbum deles, mas sem deixar o funk de lado. O tecnobrega eles deixam pra gente mesmo. Haha.
Essa remixagem que eles fizeram para a música ficou bem legal. O Diplo gosta de trabalhar com músicas assim do gueto – ou uma coisa mais tropicalizada – então não achei muito diferente não, achei que a proposta dele foi o que ele faz mesmo.
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Como foi a experiência com o Diplo, no começo do ano? Vocês se encontraram, né?
Sim, ele esteve em estúdio com a gente no Rio de Janeiro. Ele veio ao Brasil, foi para o Rio, encontrou com os meninos do Bonde, veio fazer uma pesquisa de campo. E como os meninos do bonde fazem parte da Mad Decent – que é a gravadora dele – eles tentaram com o Diplo para poder fazer alguma coisa com a gente. O Diplo topou na hora porque ele já conhecia o nosso trabalho, já tinha escutado o primeiro hit da gente. E aí foi um dia inteiro que a gente passou na gravadora juntos, com ele gravando uma música – que é a Gringo, que está no nosso CD. A base foi inteira construída nesse dia.
A produção foi dividida entre o Diplo e o Davi, que ficou junto. E também teve a co-produção do Gorky (Bonde do Rolê), né. A ideia fundamental dessa música, a base, foi tirada pelo Diplo mesmo.
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E essa faixa vai estar no primeiro álbum de vocês? Quando sai?
Isso. A gente deu uma enrolada no lançamento do álbum, e a culpa não é nem nossa, porque tem tanta coisa pra fazer que fica meio difícil. Nós não paramos de fazer show, a gente continua tentando cumprir todos os nossos compromissos. E pra conseguirmos fazer um CD assim tão rápido, como a gente fez, tem que lançar, fazer capa, mais um milhões de coisas que ainda precisam de ser acertadas – e que a gente precisava de ter parado pelo menos por uns dois meses para ficar por conta do CD.
A gente quer que ele saia – e já está quase tudo pronto. Falta alguns detalhes, falta a mixagem, escolher a capa, e mais a parte interativa do CD, que a gente está terminando de fazer. Quando terminarmos vamos lançar, e isso deve acontecer no máximo em setembro. A gente quer lançar um clipe antes. Mas a falta de tempo que tá enrolando a gente mesmo.
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Enquanto o álbum não sai, dá para viajar no EP de estreia da Uó. Play.
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