
Então, para dizer a verdade, só puxamos a Glasser para um canto do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, porque queríamos ouvir o que ela sabia sobre o… The xx. A gente não sabia muito mais sobre ela do que a turnê que eles fizeram juntos, na Inglaterra, há mais ou menos dois anos.
E, bem, também conhecíamos um remix de Jamie xx para uma de suas músicas, a bonita Tremel (Entrou até na Trouble Radio #13, de Londres). Quando perguntamos para a garota sobre a música, nesta entrevista realizada durante o Festival Eletronika, ela lançou uma frase sobre o produtor do xx que valeu por toda a conversa.
Glasser é a orquestra musical de uma pessoa só, a americana Cameron Mesirow. E, assim que sentamos em um vão aberto do Palácio das Artes, em uma sexta-feira de chuva, logo deu para sentir que ela também deveria ser uma mulher de poucas palavras. Ria muito. E, claro, divagava bastante.
Falou de Nova York, the xx e de um sujeito que a gente gosta muito, por aqui, o Sampha. Isso depois de um show maravilhoso e de cores bem bonitas. Músicas do único álbum lançado, Ring, de 2010, e também do EP de estreia, Apply, de 2009. Sonoridades minimalistas, silêncio calculado e letras íntimas. Bem Londres. Ambos os álbuns foram lançados pelo selo True Panther, o mesmo da banda californiana Girls.
No palco, ela conta com a produção e os barulhos e graves do mago Van Rivers. O mesmo maluco que produziu os últimos álbuns do Fever Ray e Blonde Redhead. Aqui, Cameron aparece sozinha. Sentada no degrau molhado de chuva, e com um gato preto por perto, a ronronar. Viajando. Tranquila.
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Então, como foi o Rio?
Foi demais. Cheguei na quarta-feira, passei o dia inteiro lá. Foi muito rápido, quero passar mais tempo. Achei incrível estar lá. Senti que estava de férias e depois eu me lembrei que tinha um show em algum lugar…na minha mente.
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Fale um pouco sobre você, onde nasceu, onde viveu, em que lugar você se encontra agora…
Bom, eu já vivi nas duas costas dos Estados Unidos, mas nunca no meio. Hahaha. Meus pais são pessoas muito criativas, que me criaram para apreciar criatividade, arte, música e… Um certo estilo de vida meio boêmio. Mas ao mesmo tempo um pouco tradicional.
Eu não fazia música até ter mais ou menos 21 ou 22 anos e, mesmo nessa época, não fazia isso com muita seriedade. Talvez isso só tenha mudado há quatro anos, quando comecei a fazer música como “Glasser”.
Agora tenho um disco lançado, tenho viajado pelo mundo há dois anos, e moro em Nova Iorque quando não estou na estrada.
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É engraçado, porque eu conheci você através de Jamie xx, na verdade. Londres, né. Talvez outro rolê.
Ô, claro.
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De onde vem exatamente essa conexão entre você e o The xx?
Eu fiz a minha primeira turnê com o xx, no Reino Unido, abrindo shows deles. Minha manager é casada com o manager deles. Então foi fácil que a gente acabasse se aproximando.
Isso, na verdade, foi depois que o Jamie fez o remix. Eu nem conhecia Jamie xx, de nenhuma maneira, quando ele fez esse remix. A música simplesmente caiu na minha inbox, um dia.
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Ele te mandou?
Não acho que foi. Provavelmente não. Jamie xx é um homem de poucas palavras.
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Você ainda acompanha alguma coisa dessa cena de Londres. SBTKRT, James Blake…
É, eu conheço eles. Conheço bem o Sampha, que canta para o SBTRKT. Ele até chegou a abrir alguns dos meus shows nesta última turnê europeia, no inverno passado.
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Ele deveria lançar um álbum dele logo.
Eu tenho certeza que ele vai. Ele é fantástico, um cara muito talentoso.
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Jamie xx é um homem de poucas palavras.
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Como é essa movimentação em Nova Iorque. Existe? Essa sonoridade inglesa…
Eu acredito que existem muitas cenas diferentes acontecendo em Nova Iorque. Mas existe uma certa, e específica, cena gay, que envolve um universo de música e arte, que acho realmente boa. Tem uma banda que se chama Teengirl Fantasy, eles estão no mesmo selo que eu, e…
É. Tem muita coisa diferente acontecendo em Nova York, é difícil de dizer… O que é bom de Nova York é que o universo das artes é diretamente conectado com o universo da música, muito mais do que acontece em Los Angeles ou em Londres. E não vejo porque esses dois mundos não podem se conectar com mais frequência. Eu gosto quando eles se ligam.
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Como era a Califórnia?
Califórnia é incrível. E, na verdade, não é muito diferente disso aqui, do Brasil. Isso é muito parecido. Eu amo a Califórnia. Assim como o Brasil, as plantas são enormes, o oceano é maravilhoso, a paisagem é incrível… É um bom lugar para ser criativo. A vida é mais… devagar, sabe?
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Sente saudades, não?
Claro. Sinto saudades todo o tempo. É muito diferente. As pessoas costumam perguntar se prefiro Nova York ou Los Angeles. E eu não sei se consigo dizer… É muito diferente. É tipo laranjas e maçãs Hahaha.
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Você está na estrada há dois anos, agora. Como tem sido? Aguentaria mais dois anos?
Acho que quando acabar esta turnê, vou trabalhar no novo disco. Vou pra Austrália por um tempo, fazer alguns shows… Preciso trabalhar em um novo disco, porque tenho pensado nisso o tempo todo.
Quando você está trabalhando em algo como isso, e é emocional, é pessoal, não é um momento no qual você quer estar na frente de pessoas. Você quer é ficar sozinho com os seus pensamentos e entrar no level mais profundo de meditação dos seus pensamentos.
Mas, por agora, eu continuo gostando de fazer shows. Eu amo estar na estrada, conheci lugares maravilhosos, como o Brasil, China, Islândia, Polônia, Eslovênia… É ótimo, incrível. O meu trabalho me leva para lindos lugares, novos lugares. Quero conhecer o mundo.