Primeiro Mundialito de Rolimã do Abacate – sábado, no Bairro Salgado Filho – um acontecimento íntimo e particular na história desta cidade de Belo Horizonte. Muitos foram os competidores, gigante foi o público. Tudo certo e necessário. Quem colou, colou. Quem não colou, não vai perder no ano que vem. É claro!
Lançamento bonito, sexta, em Belo Horizonte. Onde você estava? Radar é o primeiro álbum do cantor e multi-instrumentista Thiakov – folk-psicodélico-rock do mais periculoso – que ganhou formas no palco do Espaço 104 com ajuda dos amigos Thiago Corrêa (Transmissor), Yuri Vellasco e Luiz Gabriel Lopes (Graveola), mais grandes participações especiais. Registramos esta noite em vídeo, ao som da faixa Bagdad. Dá para sentir um pouco da onda. Viaja.
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Violentango está além das escolhas pertinentes dos amantes de Gardel. Tango transcendente, ácido, esférico e elucidante. Cada apresentação parece uma viagem pelos becos tensos e intensos de uma San Telmo que nunca dorme. A contemporaniedade argentina traduzida em notas dançantes e calorosas. Encontras aqui, e agora, em uma profusão de tons e tonalidades que confortam toda a nossa calma.
Os argentinos passaram por Belo Horizonte como um cometa instigado. Aceitaram tudo, a toda hora, numa vontade íntima de fazer acontecer o próprio tempo. Depois de um show no Mercado das Borboletas, outro do Pomar da Floresta, nos convidaram para fazer esse registro na apresentação do Festival Internacional de Teatro, no Parque Municipal. O resultado é doce e saboroso. Faz pensar que nunca esquerecemos esta visita. No outono/inverno de 2012.
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Noite brilhante nas montanhas. Escola de Samba do Cidade Jardim. Três shows para esquentar o frio. Vagabundo Não É Fácil, cover de Novos Baianos, para abrir as portas. Em seguida, Pequena Morte e Graveola. Guto (Dead Lovers) e Alexandre, discotecando. E tudo mais acontecendo. Quê isso. Viaja no vídeo.
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Certo. Não é pra ser redundante, nem nada. Mas já que esta é a quarta vez que assistimos a este show em tipo 6 meses, é bom que seja dito algo. Criolo é a nova velha gostosa obviedade da imprensa, dos críticos, dos fãs desesperados, e do público dissimulado. É o artista mais instigante do Brasil, de grande público, em franca atividade. E não há dúvidas nisso. Diga outro nome brasileiro que esteja fazendo barulho igual este homem da zona leste de São Paulo, que carrega nos olhos a poesia e a maestria de conduzir em versos uma plateia de desperados. Que levante a fé, e arraste a malevolência da vida. Que desperte o ímpeto do Novo Mundo e que pregue – como pregou ontem, no Parque Municipal – contra a homofobia, a ditadura e a repressão desmedida e escancarada.
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(Parque Municipal , Sónar SP, Music Hall e Praça do Papa)
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Criolo é o novo Planet Hemp. Criolo é o novo Chico Buarque de Holanda. E essas comparações são idiotas – então, por favor, não as reproduza. Mas, sim, algumas fórmulas estão sendo repetidas. O produtor é o mesmo. Ganjaman. Os convites também são os mesmos. Gil? E, bem, até mesmo este atual período da história carrega lá uma semelhança com o nosso passado sombrio. Emicida foi preso, dia desses aqui em Belo Horizonte, porque colocou um dedo na ferida. Absurdo. Mas a ditadura segue, meu amigo Chico.
Criolo é o porta-voz de, talvez, um novo tempo. É a angústia reprimida, com um microfone na mão, e centenas de ouvidos atentos. É tudo que, por muito tempo, a periferia quis gritar – mas que a ~Sociedade~ não estava preparada para ouvir. É o clichê mais gostoso de se reproduzir em uma conversa rápida sobre música contemporânea. É, basicamente, tudo que faltava para a Cena Independente de Música Brasileira dar um outro passo. Avante.
Olha esse show de ontem e perceba. Nós temos, finalmente, um artista brasileiro que mova multidões sem precisar ser um idiota. Ha quanto tempo isso não acontecia?
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(Criolo no show de ontem #conexãovivobh)
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Pois eis em vídeo, mais uma vez, este homem, sua banda, e sua filosofia. Perdoe aqui a qualidade, mas há de notar, contudo, a necessidade destas imagens. Criolo tem fiéis. Fiéis aos montes. Em SP, no Sónar, era notório um silêncio maior na plateia. Não Existe Amor em SP não é uma música bonita, gente boa. Ela é real. E por isso desta vez vamos só assim. Lion Man. Belo Horizonte. Afonso Pena. Parque Municipal. #conexãovivo. E todos os outros anseios.
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Colou no estúdio do iLove Bubble essa semana William Chambella, rapaz que faz um carinho na nossa alma nesta sexta feira chuvosa de outono. Apareceu por aí fazendo um folk britânico bonito junto a senhorinhas simpáticas e algumas galinhas, em meio a loucura da feira hippie de Belo Horizonte. Nada que faça muito sentido, é verdade. Mas nestes tempos nem tudo faz sentido, e nem tudo é loucura. Viaja só.
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Quem colou, colou – Sexta-feira, Music Hall – e logo se arrastou pelos versos certos e incertos do poeta sábio e dissimulado Criolo. Profeta atento dos acalantos cotidianos. Entende da dor e da necessidade, do passado e da vontade de arrancar do peito as angústias e amarguras provocadas pela Cidade.
Show como não se vê muito. E, por isso, deixamos registradas aqui estas três canções – Lion Man, Subirusdoistiozin e Não Existe Amor em SP – e mais o interlúdio em que resgata Gil e Chico. O recado é em cor, e afaga o desamor. Carrega a fé e o conforto de quem grita a melancolia de sofrer menos um pouco.
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Espaços independentes para a criação livre, libertina e coletiva nunca são o suficiente, a ponto de preencher a necessidade de uma cidade. A vontade criativa é infinita, como só parecem ser os muros, as fachadas e as placas do espaço urbano como um todo. Nada como a rua, para acatar as ânsias e as angústias que correm atropeladas pelo caos cotidiano. Olhe bem ao redor.
Belo Horizonte é uma cidade que demorou a perceber – e entender – o seu crescimento, como está sendo obrigada a enxergar, agora. De cinco anos para cá cresceu não somente o tráfego e o trânsito, mas também os bares, os letreiros, as luzes e os movimentos políticos, festivos e sociais. Uma corrente inteira alardeada e influenciada pelas conectividades latentes. Vemos o mundo, sentados na cadeira, e respiramos. O que sobra é somente o futuro e as suas possibilidade trôpegas e arriscadas.
Poucos sabem dos caminhos, mas provamos neste fim de semana de dois espaços especiais, que hoje funcionam como uma extensão da rua, em sua promessa empírica e emocional. A exemplo da mini galeria, que passa por um período de reformulação, a Casa Camelo e a Ystinlingue respondem pelo presente – e futuro – da criação artística que hoje alimenta esta Belo Horizonte interconectada, produtiva e insaciável.
A Ystilingue surgiu em meados dos anos 2000, em uma das lojas do edifício Maleta, no Centro da cidade. Expõe, semanalmente – e também permanentemente – trabalhos de artistas locais que dialogam entre grafitti, desenhos, gravuras e pinturas. O ambiente é rico e transpira a essencialidade da criação mundana através de encontros, desencontros e conversas arrastadas por cima de um isopor branco, onde são vendidas as bebidas da noite.
Foram eles – em parceria com o projeto experimental Piolho Nababo – que oferceram o Leilão de Obras de Arte a 1,99, no Nelson Bordello, há algumas semanas, com obras de artistas brilhantes como Froiid, Desali, Lelo Black e João Perdigão. Na sexta-feira a gente presenciou a exposição do artista Daniel Kassin, no Ystilingue. O que nos motivou bastante ao programa de sábado.
A Casa Camelo nasceu em outubro de 2011, nas mãos de cinco artistas visuais que procuravam um ateliê para trabalhar. E, naturalmente, foi tomando formas de uma galeria-espaço-de-projetos, que recebe visitas e ideias abertamente. A proposta é tão boa – e necessária para a cidade – que no sábado eles promoveram o Primeiro Mega Saldão de Obras de Arte a Pequenos Preços, com obras das mais diversas aspirações.
Como a de Luiz Lemos, mineiro de cinquenta e poucos anos, que pinta – e modela em metais – mulheres e instrumentos musicais. Suas peças – que já foram orçadas em R$10mil em galerias de Ouro Preto – estavam a venda por… simbólicos R$400. “É para dar mesmo”, disse, apontando para uma pintura grande, que muito lembrava as mulheres de Modigliani.
A criação de Belo Horizonte fervilha em centelhas desesperadas, como só os transeuntes da noite podem ver. Além dos espaços citados, é bom lembrar da Quina Galeria, também no Maleta e, claro, do Nelson Bordello, cabaré cultural que faz a cultura tradicional mineira rodopiar a duas dúzias de dúvidas por segundo. Depois daquele leilão a 1,99, nada mais fez tanto sentido. E, bem, nós vamos continuar atrás de algumas respostas. Rá.
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