BUBBLE TROUBLE SESSIONS | THE MAÑANERS | @PARC GUELL | BARCELONA

Não sou do tipo de viajante que costuma colocar dinheiro no chapéu dos sujeitos que ficam tocando coisas estranhas em praças públicas. E quando esses sujeitos tem lá uma linha meio Emmerson Nogueira, eu nem passo perto. Sinto calafrios no peito só de pensar nessas releituras forçosamente emotivas e apaixonadas.

Bom, mas é impossível não parar, quando tem alguém ali cantando alguma coisa que faz algum sentido. Aí, as vezes eu até sento, escuto alguma coisa, e bato palmas junto de todos aqueles turistas de primeira viagem que costumam aparecer do nada. E, na verdade, poucas vezes eu consegui ter um momento tão…especial, como aconteceu naquele outono nos caminhos do Parc Guell.

Tinha que ser em Barcelona. Primeiro porque só em Barcelona existe toda esta leveza de poder cantar sem tanto penar. E segundo porque não existe outro lugar na Terra onde a música do The Mañaners pode soar tão… reconfortante. Ok, talvez Rio de Janeiro. Talvez Kingston. E tal.

.

.

Em Barcelona eles estão em casa, de qualquer maneira. Foi lá que eles colocam o primeiro EP para circular, o In the Morning, de 2009, que contém oito músicas gravadas assim, ao vivo. Na época, percebendo a carência de casas de show catalãs que abrissem espaço para bandas de reggae autorais, os quatro músicos que então compunham a banda começaram a se apresentar na rua, despretensiosamente.

Deu tão certo que, em menos de dois anos, eles já acumulam mais de 60 concertos ao vivo. Quase todos em ruelas e praças e quebradas de Barcelona. E daí veio a grana e o entusiasmo de colocar o segundo trabalho na roda. Em 2010, já com 7 integrantes, o Mañaners lançou o primeiro CD de estúdio, High Everyday. E então abriram espaço para começar a rodar pela Europa.

Vale o clique lá no MySpace ou no site oficial da banda. Ainda mais depois de assistir a este vídeo, filmado em um outono próximo. Era quatro e pouco da tarde, então eu resolvi parar. Nada de Emmerson Nogueira. Nada de refrãos viciados e esforçados. É simplesmente… Catch a Fire, do Bob Marley e os Wailers. E você pode imaginar o que isso quer dizer.

.

PEIXOTO E MAXADO, AO VIVO E AS CORES, NA PRAÇA DO PAPA

Vinte e dois de outubro de dois mil e dez. Três dias antes – ou talvez dois – tínhamos escutado Peixoto & Maxado cantando pelos alto-falantes pela primeira vez. Além de termos delirado com o som, sobretudo com Mojo, reunimos logo em nossa redação improvisada na fazenda para ficar matutando: “Precisamos conhecer essas pessoas. Precisamos fazer alguma coisa com essas pessoas. Hoje”.

Não foi no mesmo dia, é claro. Porém, no ensolarado vinte e dois de outubro, Peixoto & Maxado, uma banda de ska composta por pelo menos 11 pessoas, estava com um show agendado na festa Flaming Night, no Music Hall, perto da nossa casa. Entramos em contato com Eduardo Peixe, o Peixoto, e propomos dar um rolé pela cidade para fazer um vídeo. Ele aceitou na hora.

Bacana. E agora? Para falar a verdade, nós não tínhamos nenhum plano na cabeça a não ser a ideia de soltar uma pipa com a banda. E como não caberia todo mundo em um gol 1.0, pequeno e confortável, partimos por aí só com os dois sujeitos que dão nome ao grupo. O destino: Praça do Papa, Brasil. Um cartão postal de encher os olhos de qualquer maluco.

.

Peixoto & Maxado, my friend

“Para gravar o nosso primeiro CD a gente foi para um sítio no interior de São Paulo. Fomos todos para lá, tirando folga dos nossos projetos paralelos para criar algo novo. E tudo que levamos foi instrumentos e alimentos”, conta Peixoto, também vocalista de uma banda de eventos, afinando o violão no topo da cidade. “Consegue imaginar esses dias no sítio?”, pergunta Maxado.

A gente não conseguiria imaginar nada tão grandioso quanto I Wanna Shoyu, o fatídico disco gravado nestes dias no campo, quando a vida se resumia em andar pela fazenda tranquilo, pescando, caçando, criando laços ternos com a natureza selvagem. “Esses elementos influenciam diretamente na sonoridade da banda. Gravamos todas as bases das músicas nesse período”, conta Maxado, que, enquanto não canta na big band, anda por aí com a banda de dub-reggae-indie Firebug.

I Wanna Shoyu já está na praça em formato físico desde julho deste ano. Das 15 excepcionais músicas encartadas no álbum, duas delas são releituras: Sounds of silence, de Simon and Garfunkel, ganhou uma onda de ska mais sossegado; e Maria Bethânia, de Caetano Veloso, ficou uma puta viagem. “Entregamos o disco para o Caê essa semana”, conta Peixoto. “Será que ele vai gostar?”

Claro! Peixoto & Maxado é a próxima banda preferida de Caetano Veloso, do iLove Bubble, e sua também. Afinal, todo mundo anda precisando de um pouco de reggae, ska e lambada para seguir numa boa nesse grande mundo cão. Não é?

Let’s dance!