A galeria de arte quartoamado fez parte do Festival Planeta Brasil de 2012 em forma de um container instalado ao lado do Palco Azul. Durante mais de doze horas, os artistas plásticos Thiago Alvim, Clara Valente, Mosh, Alexandre Rato, João Martins e Froiid se revezaram em live paintings surpreendentes. Assim que anoiteceu, o iLoveBubble transformou a galeria na tenda de música eletrônica mais particular do festival. Quem apareceu, sabe do que estamos falando. E aqui está o registro – para que cada segundo seja guardado na memória. Obrigado a todos os artistas envolvidos. Obrigado por todo e qualquer apoio.
Na sexta-feira, dia 07 de setembro de 2012, foi lançada a galeria de arte virtual quartoamado.com, na rua do CinePizzaBar e ilovebubble studio, em Nova Lima. O projeto consiste em registrar/expor/vender o trabalho de artistas plásticos e visuais que estão a margem do circuito tradicional de galerias brasileiras.
O Vernissage do quartoamado contou com uma exposição coletiva dos artistas participantes do projeto – Alexandre Rato, Angelina Camelo, Clara Valente, Desali, Froiid, Hyper, Ilovebubble, João Martins, Mosh e Thiago Alvim – mais um show especial do grupo de jazz Inevitável Experiência.
Foram mais de oito horas de programação, na rua e de graça, com live painting e discotecagem acontecendo durante toda a tarde/noite. O registro do dia está neste vídeo, assinado por Fernando Biagioni e Tarcisío Gonçalves – do Bubble Trouble Studio.
Espaços independentes para a criação livre, libertina e coletiva nunca são o suficiente, a ponto de preencher a necessidade de uma cidade. A vontade criativa é infinita, como só parecem ser os muros, as fachadas e as placas do espaço urbano como um todo. Nada como a rua, para acatar as ânsias e as angústias que correm atropeladas pelo caos cotidiano. Olhe bem ao redor.
Belo Horizonte é uma cidade que demorou a perceber – e entender – o seu crescimento, como está sendo obrigada a enxergar, agora. De cinco anos para cá cresceu não somente o tráfego e o trânsito, mas também os bares, os letreiros, as luzes e os movimentos políticos, festivos e sociais. Uma corrente inteira alardeada e influenciada pelas conectividades latentes. Vemos o mundo, sentados na cadeira, e respiramos. O que sobra é somente o futuro e as suas possibilidade trôpegas e arriscadas.
Poucos sabem dos caminhos, mas provamos neste fim de semana de dois espaços especiais, que hoje funcionam como uma extensão da rua, em sua promessa empírica e emocional. A exemplo da mini galeria, que passa por um período de reformulação, a Casa Camelo e a Ystinlingue respondem pelo presente – e futuro – da criação artística que hoje alimenta esta Belo Horizonte interconectada, produtiva e insaciável.
A Ystilingue surgiu em meados dos anos 2000, em uma das lojas do edifício Maleta, no Centro da cidade. Expõe, semanalmente – e também permanentemente – trabalhos de artistas locais que dialogam entre grafitti, desenhos, gravuras e pinturas. O ambiente é rico e transpira a essencialidade da criação mundana através de encontros, desencontros e conversas arrastadas por cima de um isopor branco, onde são vendidas as bebidas da noite.
Foram eles – em parceria com o projeto experimental Piolho Nababo – que oferceram o Leilão de Obras de Arte a 1,99, no Nelson Bordello, há algumas semanas, com obras de artistas brilhantes como Froiid, Desali, Lelo Black e João Perdigão. Na sexta-feira a gente presenciou a exposição do artista Daniel Kassin, no Ystilingue. O que nos motivou bastante ao programa de sábado.
A Casa Camelo nasceu em outubro de 2011, nas mãos de cinco artistas visuais que procuravam um ateliê para trabalhar. E, naturalmente, foi tomando formas de uma galeria-espaço-de-projetos, que recebe visitas e ideias abertamente. A proposta é tão boa – e necessária para a cidade – que no sábado eles promoveram o Primeiro Mega Saldão de Obras de Arte a Pequenos Preços, com obras das mais diversas aspirações.
Como a de Luiz Lemos, mineiro de cinquenta e poucos anos, que pinta – e modela em metais – mulheres e instrumentos musicais. Suas peças – que já foram orçadas em R$10mil em galerias de Ouro Preto – estavam a venda por… simbólicos R$400. “É para dar mesmo”, disse, apontando para uma pintura grande, que muito lembrava as mulheres de Modigliani.
A criação de Belo Horizonte fervilha em centelhas desesperadas, como só os transeuntes da noite podem ver. Além dos espaços citados, é bom lembrar da Quina Galeria, também no Maleta e, claro, do Nelson Bordello, cabaré cultural que faz a cultura tradicional mineira rodopiar a duas dúzias de dúvidas por segundo. Depois daquele leilão a 1,99, nada mais fez tanto sentido. E, bem, nós vamos continuar atrás de algumas respostas. Rá.
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