Certo. Não é pra ser redundante, nem nada. Mas já que esta é a quarta vez que assistimos a este show em tipo 6 meses, é bom que seja dito algo. Criolo é a nova velha gostosa obviedade da imprensa, dos críticos, dos fãs desesperados, e do público dissimulado. É o artista mais instigante do Brasil, de grande público, em franca atividade. E não há dúvidas nisso. Diga outro nome brasileiro que esteja fazendo barulho igual este homem da zona leste de São Paulo, que carrega nos olhos a poesia e a maestria de conduzir em versos uma plateia de desperados. Que levante a fé, e arraste a malevolência da vida. Que desperte o ímpeto do Novo Mundo e que pregue – como pregou ontem, no Parque Municipal – contra a homofobia, a ditadura e a repressão desmedida e escancarada.

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(Parque Municipal , Sónar SP, Music Hall e Praça do Papa)

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Criolo é o novo Planet Hemp. Criolo é o novo Chico Buarque de Holanda. E essas comparações são idiotas – então, por favor, não as reproduza. Mas, sim, algumas fórmulas estão sendo repetidas. O produtor é o mesmo. Ganjaman. Os convites também são os mesmos. Gil? E, bem, até mesmo este atual período da história carrega lá uma semelhança com o nosso passado sombrio. Emicida foi preso, dia desses aqui em Belo Horizonte, porque colocou um dedo na ferida. Absurdo. Mas a ditadura segue, meu amigo Chico.

Criolo é o porta-voz de, talvez, um novo tempo. É a angústia reprimida, com um microfone na mão, e centenas de ouvidos atentos. É tudo que, por muito tempo, a periferia quis gritar – mas que a ~Sociedade~ não estava preparada para ouvir. É o clichê mais gostoso de se reproduzir em uma conversa rápida sobre música contemporânea. É, basicamente, tudo que faltava para a Cena Independente de Música Brasileira dar um outro passo. Avante.

Olha esse show de ontem e perceba. Nós temos, finalmente, um artista brasileiro que mova multidões sem precisar ser um idiota. Ha quanto tempo isso não acontecia?

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(Criolo no show de ontem #conexãovivobh)

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Pois eis em vídeo, mais uma vez, este homem, sua banda, e sua filosofia. Perdoe aqui a qualidade, mas há de notar, contudo, a necessidade destas imagens. Criolo tem fiéis. Fiéis aos montes. Em SP, no Sónar, era notório um silêncio maior na plateia. Não Existe Amor em SP não é uma música bonita, gente boa. Ela é real. E por isso desta vez vamos só assim. Lion Man. Belo Horizonte. Afonso Pena. Parque Municipal. #conexãovivo. E todos os outros anseios.

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