
Como bem sabemos, nunca houve tanto espaço para se criar, partilhar e compartilhar informações entre pessoas de diferentes culturas e credos. A internet tem uma certa democracia meio desconexa e imprevisível, quase uma anarquia desesperada, onde qualquer um é livre para ditar as regras, os passos e os compassos. E não há tanta distinção de escolaridade, classe social, estado civil ou atestado de bons pretendentes. Vivemos em uma Babilônia de ideias e caminhos que se cruzam sem sentidos muito claros. Todo mundo é um pouco criador. Todo mundo faz fotografia. Todo mundo escreve poesia. Todo mundo tem uma opinião concisa sobre os mistérios que palpitam nos quatro cantos do planeta.
Certo. E é um tanto deslumbrante acordar, um dia, e pensar que é possível viver no meio disso. Ganhar dinheiro, pagar a pipoca no cinema, levar a família para passear em Barra Grande um dia, e ter tempo e conforto para assistir um filme do Godard na poltrona da sala. Tenho um amigo que compara esse cenário da internet com o Rio de Janeiro dos anos 1970. Tinha sempre muita gente na praia. Alguns estavam só de rolé, se vestindo bem, falando bem, e levando garotas para a cama. Outros, porém, aproveitaram da onda para poder constituir uma nova forma de mercado. Surfistas profissionais, managers, marcas especializadas e, sei lá, os malucos que vendem biscoito Globo para os banhistas de fim de semana.
Estamos em uma praia, de certa maneira. O mar é extenso e desamparado. E a analogia não diz respeito só da internet, mas da Indústria Cultural como um todo. Se todo mundo se tornou criador, de uma hora para outra, é importante que existam…guias. Que sejam organizações filantrópicas, revistas digitais, guias culturais, pequenos jornalistas celebridades, blogs duvidosos, tumblrs estranhos, newsletter chatos…
Ou, pois, os Coletivos! Mais do que ditar o sinal dos tempos, onde a cultura se tornou participativa e colaborativa, os coletivos culturais abriram os olhos para uma boa e velha possibilidade de se interagir na praia: Surfar junto. E então poder unir as aspirações de cada surfista para poder criar uma plataforma básica de sustentação para o sonho de viver para sempre entre as ondas e a areia.
Pedro Furtado, André Macedo e Leonardo Lott formaram juntos no curso de Comunicação Social da UFMG, cada um som sua habilitação, baseadas em Rádio e TV, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas. E a partir disso, bem… montaram um escritório na praia para o Coletivo Imaginário. Da janela, no lugar das garotas de Ipanema, os contornos da Avenida Amazonas, no Centro de Belo Horizonte. “É uma sala de 18 metros quadrados. Pelo menos é em cima disso que eles cobram nosso IPTU. Nossa área útil mesmo, é de 3x4m, com quatro pilares que ainda bagunçam nossas mesas de canto”, esclarece Pedro, via Facebook, durante uma sexta-feira quente de trabalho.
Da quebrada bem arrumada e decorada é que eles interagem com, sobretudo, quem está de rolé na areia. Produzem desde vídeos para movimentos culturais, como o festival neo-circense I.N.C.R.I.V.E.L, e clipes de bandas independentes como o Fadarobocoptubarão, até outras trabalhos que envolvem grandes marcas, como o shopping Diamond Mall, a Casa Cor e a PUC Minas. “Os vídeos do I.N.C.R.I.V.E.L. estão diretamente ligados ao processo de ter tempo livre para fazer o que a gente curte depois de ter ganhado uma grana com um cliente mercadológico”.
“Acho que dificilmente funcionariamos tão bem se fossemos um Coletivo só de fotógrafos ou só de designers. Tampouco funcionaríamos tão bem se não fossemos amigos antes de começar essa história toda”, conta Pedro, que responde como fotógrafo e diretor de vídeo do Coletivo. Na entrevista a seguir, ele ainda conta como é que andam tocando o barco, levantando alguma grana, e fazendo o sonho acontecer em um estado conservador como Minas Gerais.
Ah! E é bom lembrar. Não fosse por uma viagem para a cidade praiana de Maracaípe, no Pernambuco, é bem possível que as coisas tivesses sido diferentes. Essa história toda aqui começou na praia. De um jeito ou de outro.
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Que a coletividade é o presente e o futuro da comunicação e da cultura, ninguém pode negar. E tem muita gente nessa, de alguma maneira. Mas as vezes eu sinto que ainda não tomamos o sistema, o poder, ou a lógica do mercado. Será que os coletivos sempre andarão assim, às margens da Cultura de Massa? Ou será que ainda quebraremos alguns paradigmas, e poderemos construir algo que dialogue com outros públicos e esferas?
Cara, eu acho que, de certa forma, os Coletivos precisam se manter um pouco à margem da cultura de massa, porque a partir do momento que você se vincula à alguma instituição maior, você passa a dever satisfação à moral e aos bons costumes defendidos por essa instituição – e aí você perde sua autonomia.
Exemplo: logo no começo do Coletivo fomos procurados por uns amigos pra ajudar a produzir uns vídeos do PSB, e eu fiquei quatro noites sem dormir direito, pensando se ia aceitar ou não. Era uma grana que ia alavancar nossa vida totalmente e ia dar autonomia financeira pra gente passar um tempo fazendo os nossos projetos. Mas puts, é o PSB porra. Acabou que a história não foi pra frente, e eu pude voltar a dormir tranquilo. Mas é um dilema que eu acho que todo mundo que tem um Coletivo vai acabar passando. Quem paga as contas normalmente são os clientes de verdade, que tem demandas e posicionamentos sócio-políticos que na maior parte das vezes não combinam muito com o conceito de Coletivo – é preto no branco, pá pum, nego só quer ver o trampo pronto, ganhar o dele e ponto final.
Outro exemplo que eu posso dar é o da galera do Queijo Elétrico. Ano passado eles foram financiados pela Vivo através de Lei de Incentivo e, de certa forma, eles precisavam se “comportar”. Assim que o patrocínio acabou, eles foram lá pra Cidade Administrativa mandar todo mundo pra puta que pariu, mataram o Lacerda e o caralho a quatro – posicionamento que eu acho muito doido e que tem muito mais a cara dos meninos, mas que jamais seria possível sob o patrocínio de uma empresa grande como a Vivo. É muito rabo preso nesse mundo, e o CEO de uma mega telefônica dificilmente quer ver a marca dele no final de um video com esse conteúdo, sacou?
Se você quebrar os paradigmas pra dialogar com outras esferas e passar a depender demais de quem tem dinheiro pra fazer a roda girar, você vai ter que entrar no jogo de uma forma ou de outra. A parte boa de ser Coletivo é justamente se manter um pouco à margem dessa lógica de mercado, pra você se manter livre de umas amarras que estão diretamente vinculadas à cultura de massa.
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Vocês tem trabalhos que envolvem marcas grandes, como a blogueira Cris Guerra e o Diamond Mall, e como também a Casa Cor 2011. De alguma maneira, isso representa uma “tomada do mercado”, uma boa maneira de interferir na cultura de uma maneira mais ampla. Não?
Tenho minhas dúvidas se esse relacionamento com clientes maiores representa uma tomada de Mercado da nossa parte. Claro que quero acreditar nisso, mas acho que nossa participação nessa história reflete muito mais um cenário tecnologicamente favorável à pequenos produtores realizarem trampos de alta qualidade do que qualquer outra coisa. Para o dono da Casa Cor tanto faz se quem fez o video dele foi um coletivo, uma grande produtora, um canal de televisão ou quem quer que seja – pra ele o que importa é o video bonito no ar. Nesses trampos maiores, o relacionamento com o cliente de verdade é mínimo, a gente se relaciona é com agências de publicidade que tem a conta desse cliente. E para as agências, os Coletivos são uma mão na roda, porque tem as ferramentas pra realizar o trabalho com qualidade, mas tem o custo mais baixo do que os outros fornecedores dinossauros, e isso se encaixa na lógica de Mercado perfeitamente. É chinês fazendo Nike Air por prato de arroz. Mesmo quando o cliente procura a gente diretamente, o que eles querem é custo reduzido e ponto final, porque você é tratado como se você fosse uma micro empresa, ou um freelancer, sei lá – e o conceito de coletividade que motivou a gente a estar aqui passa longe nessa hora.
Hoje em dia qualquer designer foda investe 5 mil num iMac e numa tablet e faz miséria com isso. Com mais 10 mil você compra uma 7D, umas duas lentes e pronto – você tem condições de produzir vídeos do caralho pra quem quer que seja. Claro que nosso dedo tá lá, na grande mídia e nos outdoors. Artista de rua tá expondo no MASP, o Governo de Minas tá financiando a Bienal do Grafite, e isso legitima um pouco o processo de produção independente. Mas ainda fica a sensação que não é a gente que está lá de verdade, porque quem é grande e contrata esse tipo de serviço talvez esteja fazendo isso porque é cool, ou porque é tendência. Eu acho que a grande jogada nessa história é saber conciliar. Você faz os trampos para os grandes clientes, deixa a grana entrar e financiar as coisas que você realmente acredita.
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Aqui em Belo Horizonte costumava ser mais difícil esse diálogo com outros públicos. Por conta daquela velha ideia de conservadorismo, tradicionalismo… Como está sendo construir a cultura aqui, e agora? Tem mais espaço?
Tem mais espaço sim, mas isso tá acontecendo independente dos outros públicos abandonarem o conservadorismo e o tradicionalismo. De certa forma a vontade de fazer isso acontecer sempre existiu, acho que sempre se produziu cultura independente de uma forma ou de outra, e as pessoas sempre se articularam da maneira que era possível no seu próprio tempo. A diferença que eu vejo agora é que o espaço de articulação que a internet permite é bem maior e mais imediato, e a cultura marginal acaba aparecendo pra um número maior de pessoas independente de grandes canais de comunicação.
A esquerda festiva tá na rua, tem show pra todo lado, estamos reivindicando nosso espaço nas ruas e nas praças, e isso é espetacular, mesmo! O que é triste de ver é que o conservadorismo ainda existe, e existe muito, até mesmo entre as pessoas que tem acesso às ferramentas para se articular de uma forma legal e entrar em contato com a cultura independente. Por exemplo, tenho primos que tem a cabeça do tamanho de uma azeitona nesse sentido, e a internet não ajudou eles em absolutamente nada na hora de descobrir tudo que tá acontecendo por debaixo dos panos. E eu falo isso sem medo porque eu tenho certeza absoluta que eles jamais leriam essa entrevista se ela não estiver nas paginas amarelas da Veja. Eles provavelmente vão se tornar grande empresários iguais aos que existem hoje, e dá um pouco de medo pensar que nada vai mudar, que os meus filhos podem até produzir cultura independente e consciente, mas que os filhos deles vão continuar alienados iguais eles são hoje em dia.
É do caralho sentir que as coisas estão acontecendo, mas ao mesmo tempo é meio frustrante pensar que o círculo de pessoas que percebe isso é muito reduzido. No final das contas, sua revolta no Facebook só atinge pessoas que pensam igual à você. O cara que não acredita naquilo corre a barra de rolagem da mesma forma que ele mudaria o canal da TV ou deixaria de comprar uma revista que não reflete aquilo que ele acredita. É lindo ver duas mil pessoas marchando contra o (prefeito de Belo Horizonte) Lacerda, mas e aí? Numa cidade de mais de 2 milhões de habitantes isso representa o que? 0,1%? Apesar da sensação que a internet permite muito, quem realmente tira a bunda da cadeira pra fazer as coisas acontecerem é uma parcela muito reduzida. É um espaço sensacional de diáglogo e troca de experiências, e o próximo passo seria as pessoas entenderem que o espaço é SÓ para o diálogo, e que as coisas não vão acontecer só aqui. Sei lá, às vezes acredito numa teoria da conspiração que quem manda no sistema deixa a gente se revoltar só um pouco, achar que a gente tem o poder só um pouco e ser feliz só um pouco, mas no final das contas que vai mandar são as grandes empresas e corporações. Mas aí já é outra história hahaha.
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O Coletivo Imaginário me parece uma maneira maravilhosa de conciliar uma paixão por Comunicação e Imagem com Trabalho e Sucesso. Será que vamos todos conseguir viver disso por muito tempo? Ou será que, vez ou outra, teremos que tirar a nossa gravata no armário?
Depende muito do destino que você traçou pra sua vida. Quem tiraria a gravata do armário num momento de aperto, já tirou antes de apertar, sacou? Grande parte da resposta pra essa pergunta tá naquele video da Geração Y, que a BOX fez, e eu não quero tentar analisar comportamento de ninguém. Mas quem já se permitiu viver do que gosta, vai continuar assim. E se Comunicação não der certo, eu vou pra praia abrir um albergue.
Uma vez um amigo me falou, durante um banho de mar em Maracaípe/PE, que a grande diferença entre a nossa geração e a geração dos nossos pais é que, para eles, o certo era trabalhar muito durante a vida pra ganhar dinheiro e curtir a vida depois, e que, pra nós, isso não existe. Para nós, a vida já está acontecendo agora, e tá acontecendo rápido demais. Naquela hora, com aquele mar e aqueles coqueiros, isso que ele falou fez todo sentido, e acho que foi aí que decidi pedir demissão do meu emprego pra usar meu tempo para as coisas que eu gosto. E vou te falar que não foi fácil, porque era um emprego que pagava muito bem, com boas possibilidades de crescer dentro da minha área. É inegável que a condição financeira dos meus pais ajuda bastante, mas dificilmente eu me permitiria “tirar a gravata do armário” para aproveitar só depois de aposentado.
Claro que às vezes a gente coloca uma camisa social xadrez e uma calça jeans mais arrumada pra tentar fechar um contrato, mas são passos e decisões maquiavélicas que a gente toma com muito cuidado e consciência.
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Geniais os vídeos do I.N.C.R.I.V.E.L. Como tem sido essas produções? São vídeos pensados na internet, né?
Os vídeos do I.N.C.R.I.V.E.L. estão diretamente ligados ao processo de ter tempo livre para fazer o que a gente curte depois de ter ganhado uma grana com um cliente mercadológico. O Coletivo Imaginário sempre existiu nesses moldes, desde o primeiro email sobre a vontade de abandonar o emprego e começar nosso próprio negócio. Com esses trampos não entra grana, e a gente faz pelo simples prazer de criar e rir junto na hora de produzir alguma coisa. A liberdade criativa é integral, e a visibilidade que isso ganhou tem muito a ver com isso. É isso que a gente gosta de fazer, é isso que a gente sabe e quer fazer. É praticamente impossível pensar uma campanha da Casa Cor ou do Vestibular da PUC com um palhaço sujo cuspindo jujubas e berrando “MULHER PORRA!!!!”. Mas eu só fui convidado pra ser diretor dessas campanhas por que esse video caiu na mão das pessoas certas e eles viram que a gente é capaz de produzir algo massa. Então quando a galera da Híbrido (www.hibrido.cc) convida a gente pra pensar algo desse tipo junto, nossa entrega é total, topamos na hora sem nem perguntar se tem grana envolvida, porque a gente sabe medir que tem coisas que valem tanto quanto (ou até mais) que dinheiro no bolso. Ou quando a galera da CHOICE (www.choice.org) pergunta se a gente topa ficar 48h sem dormir de frente para um stop motion a preço de custo a gente também topa sem pestanejar, porque é nisso que a gente acredita, é disso que a gente gosta e é com essa galera que a gente quer trabalhar. O único retorno a curto prazo que isso traz pra gente é alegria, diversão e folia. A longo prazo até pode trazer coisas melhores, como foi o caso dessas campanhas da PUC e Casa Cor. Mas não entra grana massiva, e isso é de boa, porque o projeto é exatamente esse.
(Teaser para a segunda edição do I.N.C.R.I.V.E.L., produzido pelo Imaginário e pelo Híbrido.cc)
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E sem a internet, nada disso seria posível. São videos pensados pra internet o tempo todo, e eles não funcionariam em nenhum outro lugar. Primeiro porque a Globo Minas jamais passaria um video de um palhaço sujo cuspindo jujuba e gritando “MULHERADA LOUCA, INSANA E PIRIGUETE” – e muito menos passaria em Full Hd hahaha. Segundo porque essa galera não tem dinheiro pra comprar mídia para isso passar de num canal de verdade. E terceiro porque, mesmos todos esses outros impedimentos fossem contornados, o video não teria nem um décimo do impacto que ele tem pela internet, porque é só nela que ele atinge as pessoas certas.
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E quão importante tem sido a internet no trabalho de vocês?
Eu não consigo imaginar o que seria da gente sem a internet, mesmo. Nossa máxima aqui dentro sempre foi “tudo é conteúdo” e, mesmo sem cliente, a gente tava soltando vídeo de reforma da nossa sala, video de balão vermelho subindo pela janela e mais um monte de besteira. E isso é importantíssimo pra você aparecer, mostrar sua cara, mostrar pra todo mundo que você tá aí querendo produzir alguma coisa. E é sensacional você poder se apoiar num meio com características iguais às da internet. É de graça, é em Full HD, você atinge quem realmente se interessa pelo seu produto e a coisa circula de uma maneira assustadora. Lembro que logo quando entrei na faculdade, em 2005, eu fui mandar pro grupo de email da sala o video de um japinha tocando todas as músicas do Super Mario no piano, e eu fiquei uns 40min anexando o arquivo wmv de 10MB no email. Não tinha Youtube, porra! E nessa mesma época a MTV deu uma reformulada bruta na programação deles, e grande parte dos programas passaram a dialogar e depender quase que integralmente da internet, várias categorias do VMB incluíam produções que só estavam na internet etc. Na época eu achei isso meio precipitado e queria continuar vendo clipe anos 90 style, mas hoje eu vejo que os caras foram muito visionários. Se não fosse por isso, os caras provavelmente já teriam morrido. Hoje qualquer um pode produzir um programa sobre o que quiser e ser visto em todo lado, e é muito sensacional você não depender de nenhum canal de TV pra isso. Se não fosse pela internet, com certeza não estaríamos onde estamos hoje.
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[...] no Centro de Belo Horizonte, para a gravação do clipe Bom!, da banda Pequena Morte. O pessoal do Coletivo Imaginário estava dirigindo. Os passageiros permaneceram tranqüilos. Quase ninguém tinha ido embora, quando [...]