James Blake – Limit To Your Love

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The Quiet Revolution. O título é apelativo e especulativo, mas alguma coisa faz sentido nessa história. Veja bem, é certo dizer que, na verdade, estamos vivendo a Era do Barulho. Nossos ouvidos precisam lidar todos os dias com buzinas, caminhões despejando coisas na rua, máquinas pesadas, despertadores desesperados, comerciais de TV, jingles grudentos, Rihanna, e por aí vai. E, para piorar as coisas, no final do dia vamos pra balada querendo encontrar uma vida mais sossegada e, bem, saímos de lá com os ouvidos zumbindo, cheirando a cigarro, arrependidos de ter pego a pessoa errada, e coisa e tal.

Certo. Mas complicado mesmo, pode ter certeza, é ter morado em Londres nos últimos 10 anos.


Antes, o Dubstep

É que, além de ter que lidar com todos os problemas listados aqui no começo (tirando a parte do Bonner), possivelmente você ainda teria que ouvir Dubstep no fim do dia para poder encontrar as pessoas bacanas da cidade. Afinal, é difícil pensar outro movimento musical que tenha feito tanto sucesso na Inglaterra nos últimos anos do que essa mistura de ritmos – dub, drum ‘n bass e grimme, sobretudo – que os subúrbios ingleses estavam conspirando para além dos guetos, alcançando as boates, os pubs, a internet, as rádios, e o mundo.

De pouco em pouco, djs e produtores como Kode 9, Skream  e Burial tornavam-se figuras notáveis na cena local. Para legitimar ainda mais o movimento, eles contaram com a ajuda da jornalista inglesa Mary Anne Hobbs, “A Rainha do Grave”, que enfiou o dubstep goela abaixo dos ouvintes da BBC Radio 1 durante bastante tempo.

Porém, pode colocar aí que, até 2002, o dubstep guardava muita semelhança do que foi o início do punk  nos EUA e na própria Inglaterra. Nesse  começo da primeira década do século XXI, se você quisesse ouvir graves distorcidos, fritações eletrônicas e o prelúdio da música do futuro, teria que se desdobrar para conseguir fitas, gravações caseiras e arquivos mp3 com alguns moleques de 17, 18 anos que até então eram vistos como possíveis futuros criminosos. E eles estavam inventando algo que nem sabiam onde é que iria chegar.

Chegou ao ponto que, hoje, o dubstep já tem uma ala mais pop. Como todos os ritmos musicais. E o bom e ‘velho’ dubstep, pesado e pulsante, claustrofóbico e redondo, tem ficado tão pesado e apocalíptico que muita gente começou saltar do barco e/ou procurar alternativas para elevar novamente a expectativa de vida dos próprios ouvidos.

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A Revolução

Abençoado seja o The xx, pois. No auge do dubstep inglês, e no epicentro de um furacão de barulho, graves e baladas perigosas, eis que surge este quarteto de jovens obscuros, tímidos, vestindo preto e cantando baixinho. Romy Madley Croft (vocais e guitarra), Oliver Sim (vocais e baixo), Jamie Smith, ou Jamie XX (produção) e Baria Qureshi (teclado), que saiu da banda em 2009, colocam um elemento essencial que estava faltando na cena alternativa de música da Ingleterra: o silêncio.

Com sons mínimos, calculados e vocais impecáveis, o álbum de estréia da banda, XX, de 2009, não só foi eleito como um dos melhores discos da década por milhões de blogs, jornais e críticos, como também salvou a vida de centenas de londrinos e jovens espalhados pelo mundo que já não sabiam mais como respirar no meio de tanto barulho. E, inconscientemente, o quarteto acabou dando o pontapé inicial da Revolução do Silêncio, que acometeu Londres (mais uma vez) nos meses subseqüentes.

James Blake foi um dos primeiros a colocar um álbum ”silencioso” na praça, o James Blake, lançado em fevereiro de 2011. Assim como o The xx, as batidas de Blake são limpas, claras e calculadas. O vocal entra sempre na hora certa. E ele ainda toca piano e canta sobre os desamores mundanos. “I dont know about my dreams. All that I know is i’m fallin’, fallin’, fallin’. Existe uma diferença, porém. Em James Blake, percebe-se claramente vários flertes diretos com o dubstep. Nada muito pesado, é claro. Mas tal queda pelos baixos sintetizados e distorcidos valeu a Blake a bandeira de “pioneiro do movimento pós-dubstep”.

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Bloom – Jamie xx Rework by Radiohead

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Ainda em fevereiro de 2011, Jamie XX (dj e produtor do xx) colocou também na praça o álbum We’re new here, com remixes e releituras do álbum I’m new here, de Gil Scott-Heron, considerado por muitos o “pai do rap”. We’re new here mostra o silêncio do xx com a força do hip-hop e a irreverência do dubstep. A combinação é tão cabulosa e certeira que, é claro, o disco vai estar em qualquer lista dos melhores álbuns deste ano.

E não é nada estranho perceber que, assim como foi com o Dubstep, são moleques de 20 e poucos anos que estão ditando o “novo futuro da música”. Na mesma linha que James Blake (22) e Jamie XX, outros nomes que vem ganhando os blogs e rádios estranhas do mundo é o inglês Jai Paul (21), que soltou uma música na internet em 2007 e então desapareceu, e o norte-americano Nicolas Jaar (20), nascido em 1990 (!). Além de colocar o excelente e… silencioso álbum Space is only noise na roda este ano, Nicolas, que cresceu em Santiago, no Chile, já é dono de um selo de música eletrônica.

A “Revolução do Silêncio” segue com pelo menos quatro soldados, como se vê.  Porém, o que não falta é investimento e esperança no movimento, principalmente por parte da XL Records, que lançou tanto XX, como também Jamie XX e o único single do Jai Paul. Além do mais, sabendo da loucura que anda a música eletrônica londrina, da decadência do indie com lançamentos óbvios e redundantes, e sabendo como andamos precisando de um pouco mais de fôlego para respirarmos melhor no escuro… é de se esperar que esta revolução não tarda a ser televisionada para o mundo. Vai vendo.

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Nicolas Jaar – Space Is Only Noise if You Can See by CircusCompany

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Anexo

Future Sound – An Underground Electronic Music Documentary from Jamie Whitby on Vimeo.

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Future Sounds – An Underground Eletronic Music Documentary é um mini-documentário que discute o futuro da música a partir da cena de dubstep de Londres. Tem depoimentos de alguns nomes importantes como Roska, Scratcha DVA, Blackdown e Mark Fisher. O sotaque britânico não ajuda muito, mas se pá dá para entender alguma coisa.

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